Escuta, agência e resistência de estudantes migrantes frente ao letramento dominante neoliberal

Autores/as

Palabras clave:

pedagogia decolonial; letramento crítico; educação linguística; estudantes migrantes; neoliberalismo.

Resumen

Este artigo discute como pedagogias decoloniais orientadas pelos letramentos críticos podem promover a escuta, a agência e a resistência de estudantes migrantes no contexto do ensino de línguas no ensino fundamental brasileiro. A partir de uma revisão teórica ancorada na pedagogia crítica de Freire (1987) e em aportes decoloniais desenvolvidos por autoras e autores como Walsh (2009) e Mignolo (2009), argumentamos que o letramento dominante, frequentemente associado à racionalidade neoliberal, constitui uma lógica homogenizadora que tende a silenciar vozes e subalternizar saberes dos alunos migrantes. Em contraste, pedagogias decoloniais dos letramentos críticos propõem práticas dialógicas de escuta ativa das vivências desses estudantes, valorizam sua agência na construção do conhecimento e incentivam formas de resistência voltadas a questionar a padronização, a meritocracia e os mecanismos de controle característicos do neoliberalismo educacional, conforme discutido por Holborow (2012) e Duboc e Ferraz (2020). Nessa direção, o artigo apresenta uma fundamentação teórica sobre letramento crítico decolonial, inspirada em autores como Freire e Macedo (1987), e discute estratégias pedagógicas capazes de possibilitar que alunos migrantes leiam a palavra e o mundo de modo crítico, reconstruindo suas identidades linguísticas e culturais no espaço escolar. Por fim, são apresentadas considerações sobre desafios e potencialidades da implementação dessas práticas, ressaltando a importância da formação docente crítica e de políticas educacionais inclusivas e contra-hegemônicas que respondam às dinâmicas contemporâneas das migrações no Brasil.

Biografía del autor/a

  • Douglas Manoel Antonio de Abreu Pestana dos Santos, USP

    Linguista - Mestre e Doutor em Educação

Publicado

2026-04-28