Modernização curricular e exclusão social: análise crítica da educação digital no ensino de língua portuguesa
Resumo
O presente artigo analisa o Guia Educação Digital e Midiática: como elaborar e implementar o currículo nas escolas, publicado pelo Ministério da Educação em 2025, sob a perspectiva da Linguística Aplicada Crítica (LAC). O objetivo é problematizar de que forma a incorporação da dimensão digital no currículo de Língua Portuguesa pode acentuar desigualdades sociais, sobretudo no acesso aos meios digitais. A investigação ancora-se em metodologia qualitativa, baseada na análise documental do Guia, em diálogo com produções da LAC e de estudos críticos sobre currículo e desigualdade educacional. A discussão aponta que o documento oficial, ao adotar uma concepção homogeneizadora de cidadania digital, tende a invisibilizar contextos de exclusão tecnológica e a legitimar discursos de modernização pedagógica descolados da realidade escolar. Como pergunta norteadora, indaga-se: de que modo a implementação da educação digital e midiática no currículo de Língua Portuguesa pode reproduzir mecanismos de exclusão em um país marcado por profundas desigualdades sociais? A lacuna identificada situa-se na ausência de estratégias que contemplem a diversidade de condições materiais e culturais das redes públicas. Os resultados indicam que, embora o Guia represente um avanço normativo, corre o risco de se converter em dispositivo de exclusão se não for acompanhado de políticas estruturais de acesso, formação docente crítica e valorização dos saberes locais. Conclui-se que a LAC oferece um horizonte de resistência e emancipação, ao propor práticas pedagógicas capazes de tensionar a desigualdade e promover formas críticas de apropriação da linguagem digital.